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(CONTINUAÇÃO do texto "Por que sou feliz em Ponta Grossa")

----------------------------- E o olhar das pessoas, não é triste, mas desconsolado, diante da brutal taxa de desemprego, da desvalorização dos salários, do cínico aumento das tarifas públicas, dos engodos diariamente impingidos pelo Partido que pregava a ética e a moral e que, agora, elege o velho Sarney como interlocutor, o imaculado Jáder Barbalho como mestre da articulação e Fidel Castro, o dinossauro que prende e fuzila, como exemplo de governo democrático, merecedor de empréstimos e de emocionadas lágrimas de gratidão. Por isso, não há como demonstrar qualquer alegria. ----------------------------- - Mas os pontagrossenses, são assim mesmo. Quietos, pouco exigentes em matéria de churrascarias e restaurantes, mas decididos e empreendedores no momento adequado. Assim foi na Guerra Farroupilha, quando Atanagildo Pinto Martins lutou ao lado das forças imperiais e seu irmão Rodrigo, empunhou o estandarte tricolor da República riograndense; na Revolução Federalista, quando a cidade optou pelos maragatos de Gaspar Silveira Martins; na campanha civilista de Ruy Barbosa contra o militarismo de Hermes da Fonseca; no movimento getulista que se propunha regenerar os costumes políticos e na própria rebelião que despediu a incompetência e a farrombamba de João Goulart, Brizolla & Cia. ----------------------------- Existiram integralistas por aqui, que gritavam anauê mas que também acreditavam piamente no tripé fundamental – Deus, Pátria e Família. Havia comunistas sinceros; nazistas enganados como o profícuo Pastor Fugmann e fascistas admiráveis como o humanitário dr. Burzio. Enfim, houve de tudo, como convinha a uma cidade em que o elemento nativo, muito mais próximo da Espanha do que de Portugal (e assim o disse Alfredo Ellis Júnior), misturou-se a etnias européias, fazendo surgir o produto híbrido que, muitas vezes, não é compreendido em sua inteireza. ----------------------------- Mas a cidade, com efeito, precisa de homens dignos e de batalhadores incansáveis como Miguel Sanches Neto e quer que todos sejam felizes com ela e não apesar dela, vislumbrando-lhe valores que vão muito além das coisas triviais. ----------------------------- - Por fim, não há como concordar com a hipótese de que a maior instituição pontagros-sense, é o Açougue do Adi, em Nova Rússia. Aliás, o Adi até pode ter alguma fama no fabrico de embutidos. Mas uma coisa é possível assegurar: as suas lingüiças de porco, não chegam nem perto daquelas que são fabricadas em Prudentópolis, minha terra natal. E a cracóvia, é plágio inacabado do centenário trabalho artesanal que ucranianos, como o clã Opuchskiewicz (!), ainda desenvolvem na Terra das Cachoeiras. ----------------------------- A maior instituição de Ponta Grossa, a meu ver, não se encontra nem na Nova Rússia, nem em Itaiacoca. E não é lombo de porco, nem torresmo. ----------------------------- Trata-se de algo imaterial que todos sentimos e, de contínuo, enxergamos; é coisa abstrata que o vento forte não consegue carregar, porque se encontra inoculada no espírito das pessoas, na consciência coletiva da comunidade. A maior instituição pontagrossense, esquecida a mania oficialesca das sessões cívicas (que, aliás, é comum em toda a parte) e o branco do sorriso e dos uniformes dos dentistas, é a rebeldia, é a não submissão a despotismos, é a coragem democrática de experimentar mudanças e de reconhecer erros. ----------------------------- Valfrido Pilotto, cem anos de idade bem vividos, uma das glórias da literatura do Paraná, foi quem disse não reiterar "panegíricos à cidade ansiosa e fecunda, a ostentar, desde antigas e sempre renovadas batalhas, o título conquistado por unânime aclamação das gentes e das cátedras, como "Capital Cívica do Paraná". Tal foi no passado, em numerosas emergências que formaram história de excepcional valia, mormente porque é translúcida a moral dos seus homens e, por outro lado, se revestem de pedrouços os objetivos de vitória. Há, de fato, que fazer as gerações de todas as latitudes queimarem os dedos nas lareiras da dignidade, a fim de não restarem as suas crônicas como farrapos remendados com grudes azedos e piedades deprimentes. Sob esse aspecto, o pontagrossense que negar fogo é porque não se embebeu daqueles horizontes irmãos da eternidade e não pulsou com os entonos, já tantas vezes ali, desafiando governos e outros fantasmas". ----------------------------- Por esses motivos, diferentes daqueles arrolados por Sanches (que admiro e que acompanho, religiosamente, todas as segundas-feiras na Gazeta do Povo), é que me considero feliz em Ponta Grossa...

26/02/2005 Publicada por todo-aquele-que-escrever

  
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